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A UFPel inaugura, nesta segunda-feira(3), às 10h, o Casarão 8 da praça Coronel Pedro Osório, na esquina da rua Barão de Butuí, que será sede dos Museus do Doce e de Antropologia e Arqueologia, ambos do Instituto de Ciências Humanas(ICH).ca

 

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As duas primeiras fotos são de 2009.

A terceira foto é de outubro de 2011 e a última de setembro de 2012.

A cozinha do Casarão 8 é revestida com azulejos de origem francesa, ao contrário do que consta em algumas publicações sobre o prédio que citam os azulejos como sendo portugueses. As peças apresentam uma marca da Fábrica Fourmaintraux Hornoy de Desvres, região polo de fabricação de azulejos na época.

De acordo com o professor de arqueologia, Fabio Vergara, os azulejos foram fabricados entre 1843 e mais ou menos 1872. Na época, a nova técnica utilizada pelos franceses para a produção dos azulejos deixava para trás a técnica portuguesa. “Os azulejos portugueses eram mais porosos e lascavam facilmente ao contrário dos estaníferos fabricados pelos franceses”, disse o professor.

Em fase final de restauração, a cozinha do Casarão 8 teve seus azulejos de origem francesa e a pia de granitina completamente restaurados. A porta com passa pratos está sendo restaurada para em breve ser recolocada no lugar.
Segundo a arquiteta responsável pela obra, Simone Delanoy, o processo de restauração dos azulejos da cozinha contou com a limpeza inicial das peças, identificação dos pontos a serem restaurados e recompostos, retirada de algumas peças a partir da avaliação do todo/localização para utilização como peças de reposição, recorte, montagem, colagem, consolidação e recolocação, finalizando com a pintura dos trechos faltantes e acabamento.
Na pia foi realizada uma restauração da granitina, limpeza, retirada das obturações superiores em cimento, consolidação das fissuras e aplicação de resina para acabamento.

Mosaico
Alguns vãos da parede ficaram sem azulejos devido a ação do tempo e a falta de manutenção do prédio. Uma parte da parede que não apresenta azulejos receberá um mosaico com o restante do material procedente do salvamento arqueológico realizado pelo LEPARQ-UFPel, em 2002, a partir de convênio com o Iphan.
O mosaico foi proposto pela autora do projeto, arquiteta Simone Neutzling, e o objetivo é reintegrar ao imóvel as peças que foram encontradas na pesquisa arqueológica, em painel de mosaicos, possibilitando a leitura e a localização destas peças que foram inseridas, em relação ao conjunto.

Pintura
As outras partes que faltam azulejos receberão uma pintura. O acabamento escaiola na cor azul violeta, foi definido de acordo com uma prospecção realizada no local.

A tradição doceira, patrimônio imaterial brasileiro, ganhará seu espaço no Casarão 8 que abrigará o Museu do Doce. O prédio, que está em fase de restauração, será entregue à comunidade durante as comemorações dos 200 anos da cidade.

O Museu do Doce foi um pedido da comunidade doceira através da Associação dos Amigos do Museu do Doce e abraçada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) após o tombamento do Casarão 8. Com a compra do prédio, a UFPel também abraçou a iniciativa e passou a trabalhar no projeto, de forma interdisciplinar, reunindo vários cursos que poderão colaborar com a organização do Museu.

Em 2009, uma Comissão da Universidade passou a trabalhar em cima do projeto e em 2011 se uniu a Associação dando ao plano o mesmo referencial do Inventário Nacional de Referências Culturais – Produção de Doces Tradicionais Pelotenses aprovado pelo Iphan para ser inscrito no Livro dos Lugares, do Ministério da Cultura, momento que a tradição pelotense passou a ser patrimônio imaterial brasileiro.

Segundo a coordenadora do projeto, professora Nóris Leal, o projeto do Museu é audacioso. “Estamos organizando o Museu de forma que a tradição do doce devolva para Pelotas o lugar de destaque que ela merece”, disse.

De acordo com a coordenadora, além do acervo que será emprestado pela comunidade doceira, o Museu contará com uma cozinha experimental. O local será utilizado para cursos que serão oferecidos para a comunidade. “A ideia é tornar o Museu sustentável, com a venda dos doces que serão produzidos no local”, informou.

Paralelo a exposição sobre a história e a produção do doce, outra área também terá o seu lugar no Casarão, a produção de artesanato voltado ao doce, para isso, será criado um atelier, com o objetivo de recuperar toda a produção artesanal que envolvia a produção doceira, como as pelotinas artesanais, toalhas e afins.

No dia 29 de fevereiro um grupo de profissionais ligados à conservação e restauro de patrimônio arquitetônico visitou as obras de restauro do Casarão 8. Eles compõem equipes do IF Sul-Campus Pelotas, IF Minas Gerais-Campus Ouro Preto e da UTU-Universidade do Trabalho do Uruguai e reuniram-se em Pelotas para sua terceira reunião presencial, que dá continuidade aos trabalhos previstos em projeto de cooperação internacional para a oferta de formação profissional na área do restauro e da conservação do patrimônio edificado.

O projeto é patrocinado pela ABC-Agência Brasileira de Cooperação – e, nesta etapa, o grupo vem identificando potencialidades e demandas das três instituições de ensino às quais pertencem e das comunidades onde se inserem.

Os visitantes foram orientados pelo arquiteto residente, Cassiano Gasperin, que discorreu sobre o projeto, técnicas, processos e materiais que vêm sendo utilizados. Foi importante a participação da profa.

Na oportunidade, o grupo discutiu sobre algumas das práticas específicas que vêm sendo desenvolvidas no processo de restauro do Casarão 8 – especialmente a recuperação dos marmorinos e dos ornatos em gesso e argamassa – e foi com satisfação que a equipe de Pelotas reencontrou-se com artífices egressos dos cursos de qualificação profissional para o restauro, desenvolvidos na Instituição, e que hoje atuam na recuperação do Casarão 8.

Segundo a coordenadora do NuCor-Campus Pelotas, professora Gisela Lange do Amaral, comprovar a qualidade do trabalho desenvolvido pelos restauradores Arion Franconi, Marcia  Guidoti  e José Luis Silva, egressos dos cursos do IF Sul,  só reforça a certeza sobre a importância e a necessidade que Pelotas e região apresentam hoje no campo da qualificação profissional para o restauro e a conservação de patrimônio edificado.

No dia 29 de fevereiro, uma comissão do MEC esteve em Pelotas para avaliar o curso de Museologia do Instituto de Ciências Humanas – ICH. Na oportunidade, os professores visitaram as obras de restauro do Casarão 8, que têm uma participação grande de docentes e estudantes do curso.

O reitor Cesar Borges mostrou as obras e contou alguns detalhes e curiosidades sobre o prédio que será entregue à comunidade durante as comemorações dos 200 anos de Pelotas. A Comissão é composta pelos professores Carlos Costa, da Universidade do Recôncavo da Bahia – UFRB e Heloisa Helena Gonçalves da Costa, da Universidade Federal de Bahia – UFBA.

O ICH possui um acervo histórico com artefatos encontrados no Casarão 8 durante o monitoramento arqueológico da drenagem do subsolo do prédio, em 2002. O Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia – LEPAARQ inventariou 5682 vestígios arqueológicos como fragmentos de louça fina, cerâmica, vidro, metais, ossos e vestígios orgânicos e arquitetônicos.

O Casarão 8 terá um museu que contará com todos os fragmentos encontrados no prédio. Além disso, o Museu do Doce também será instalado no prédio e contará a história da cutura imaterial que é tradicional na cidade de Pelotas.